A OpenAI lançou, a 26 de outubro de 2026, o GPT-6.1 Terra: um modelo intermédio mais rápido, com metade do preço do anterior, capaz de ler o ecrã, agir entre aplicações e escrever com mais naturalidade.
O novo modelo substitui o GPT-5.6 Terra, lançado em julho, e ocupa o lugar do meio na família de modelos da OpenAI, entre o económico Luna e os mais potentes Sol e Astra. Está a ser disponibilizado de forma gradual aos utilizadores dos planos Plus, Pro, Enterprise e Edu, no ChatGPT Work e no Codex, e aos programadores através da API, com o identificador gpt-6.1-terra.
Para quem ensina, a novidade vai além de “mais um modelo”. O GPT-6.1 Terra foi desenhado para as tarefas que enchem o dia de trabalho: interpretar imagens e documentos visuais, preencher formulários, navegar entre aplicações e redigir textos claros. São exatamente as tarefas que consomem horas aos professores fora da sala de aula, da preparação de materiais à comunicação com as famílias.
Um elétrico de Lisboa para apresentar o novo modelo
Para mostrar o GPT-6.1 Terra ao mundo, a OpenAI escolheu um símbolo bem português: um elétrico de Lisboa. No vídeo oficial de lançamento, com apenas 32 segundos, o modelo recebe uma fotografia do elétrico e o pedido para criar um modelo 3D. A partir daí trabalha sozinho: interpreta a imagem, abre um programa de modelação 3D e constrói a miniatura passo a passo, operando o software como faria uma pessoa.
Vídeo oficial da OpenAI: GPT-6.1 Terra is now in orbit (32 s, sem narração)
Os números que resumem o lançamento
A proposta da OpenAI resume-se numa ideia: fazer mais trabalho do dia a dia, mais depressa e por menos dinheiro. No Agents’ Last Exam, um teste que mede a capacidade de um agente usar software de trabalho real, o GPT-6.1 Terra supera claramente o antecessor e iguala o GPT-6 Astra, o modelo topo de gama da empresa, custando um décimo por token. Com esforço de raciocínio médio, obtém mais 15 pontos percentuais do que o GPT-5.6 Terra, a cerca de um terço do custo.
Onde se situa na família de modelos da OpenAI
A OpenAI organiza atualmente os seus modelos em quatro classes, da mais económica à mais capaz: Luna, Terra, Sol e Astra. Quando foram lançados os modelos GPT-6 Sol e Luna, em setembro, a classe Terra ficou de fora. O GPT-6.1 Terra fecha agora essa lacuna e posiciona-se como o modelo "rápido e eficiente" para o trabalho corrente, deixando a investigação aprofundada e a programação complexa para o Sol e o Astra, como a própria OpenAI recomenda.
Na API, o GPT-6.1 Terra custa 1 dólar por milhão de tokens de entrada e 5 dólares por milhão de tokens de saída, exatamente metade do GPT-6.1 Sol. Para tarefas repetitivas e de grande volume continua a existir o Luna, ainda mais barato, mas menos capaz.
O que muda face ao GPT-5.6 Terra
Os ganhos não se limitam ao preço. Nos testes divulgados pela OpenAI e nas medições independentes da Artificial Analysis, o novo modelo erra menos, inventa menos e resolve mais tarefas complexas do que a versão de julho.
Com esforço de raciocínio máximo, a taxa de erro nas perguntas armadilhadas desce 18 pontos percentuais, para 4,3%, quase ao nível do GPT-6 Astra e do GPT-6.1 Sol. Na programação, o novo Terra ultrapassa o próprio GPT-6.1 Sol a menor custo e fica a menos de cinco pontos do Claude Opus 5.5, da Anthropic, por menos de um quinto do custo estimado. No raciocínio visual (teste MMMU-Pro), supera o antecessor em todos os níveis de esforço e, já no nível médio, ultrapassa a melhor pontuação que o GPT-5.6 Terra alguma vez obteve.
Ver, agir e escrever: as três capacidades centrais
A OpenAI apresenta o GPT-6.1 Terra como um modelo "para todo o dia de trabalho". Os exemplos dados no anúncio vão da interpretação de desenhos técnicos à redação de propostas, passando pelo preenchimento de formulários e pela edição de vídeos.
Disponibilidade, planos e preços
O GPT-6.1 Terra está a chegar, desde 26 de outubro e de forma gradual, a todos os utilizadores dos planos Plus, Pro, Enterprise e Edu, dentro do ChatGPT Work e do Codex. Os planos gratuito e Go não constam da lista divulgada pela OpenAI.
O ChatGPT Work, lançado em julho de 2026, é o modo agente do ChatGPT: recebe um objetivo, divide-o em passos, trabalha com ficheiros e aplicações ligadas (como Google Drive, Gmail, Microsoft Teams ou SharePoint, entre outras) e entrega documentos, folhas de cálculo ou apresentações já feitos. O Codex é a ferramenta de programação da OpenAI. Segundo a empresa, com o novo Terra a quota de utilização incluída nestes planos rende mais do que com o GPT-5.6 Terra e muito mais do que com o GPT-6.1 Sol ou o GPT-6 Astra.
Porque é que isto interessa aos professores
As capacidades do GPT-6.1 Terra encaixam diretamente no trabalho invisível da profissão docente, em qualquer disciplina e nível de ensino.
Como pode ajudar a melhorar a aprendizagem dos alunos
O ganho de tempo só tem valor pedagógico se for reinvestido nos alunos. Um fluxo de trabalho possível com o ChatGPT Work, aplicável a qualquer disciplina:
Feedback formativo mais rápido sobre trabalho visual
Com melhor leitura de imagens, o modelo pode apoiar o professor na análise de fotografias de resoluções manuscritas, esquemas, mapas conceptuais ou relatórios com gráficos, sugerindo comentários que o professor ajusta. Quanto mais cedo o aluno recebe feedback concreto, mais facilmente corrige o raciocínio antes de consolidar um erro.
Diferenciação sem multiplicar horas de trabalho
O mesmo recurso pode ser produzido em várias versões: com linguagem simplificada, com apoios visuais ou com desafios adicionais. Isto é particularmente útil na aplicação de medidas de suporte à aprendizagem e à inclusão, em que adaptar materiais costuma ser um dos trabalhos mais morosos.
Leitura crítica de dados e imagens em qualquer disciplina
Em História, Geografia, Ciências ou Matemática, os alunos podem pedir ao modelo que interprete um gráfico, um mapa ou uma fonte iconográfica e, depois, confrontar essa interpretação com a sua e com o manual. O exercício desenvolve áreas do Perfil dos Alunos como Informação e comunicação e Pensamento crítico e pensamento criativo.
Um revisor que explica, em vez de reescrever
A escrita mais natural do modelo torna-o útil como revisor comentado: em vez de pedir um texto novo, o aluno pede sugestões justificadas sobre clareza, coesão e argumentação, e decide o que aceitar. A aprendizagem acontece na decisão, não na cópia.
Literacia em IA com números reais
Os próprios dados do lançamento são material pedagógico: um modelo que ainda erra em 16,7% das perguntas armadilhadas (com esforço baixo) mostra aos alunos porque é que nenhuma resposta da IA deve ser aceite sem verificação. A utilização pelos alunos deve sempre respeitar as regras de idade da OpenAI e as orientações do agrupamento.
Limites e cuidados a ter
Um modelo mais rápido e mais barato liberta tempo. O que fazer com esse tempo, e o critério pedagógico sobre o que chega aos alunos, continua a ser responsabilidade do professor.
Em síntese
O GPT-6.1 Terra não é o modelo mais poderoso da OpenAI, mas pode vir a ser o mais usado no dia a dia: custa metade do antecessor, é várias vezes mais rápido do que os modelos de topo, erra bastante menos e foi pensado para as tarefas práticas que ocupam grande parte do tempo de um professor. Para quem já tem o ChatGPT Plus, vale a pena experimentá-lo no ChatGPT Work com uma tarefa concreta e bem conhecida, avaliando o resultado com o mesmo rigor que se aplicaria ao trabalho de um colega.
Nota editorial e de transparência: este artigo foi elaborado por Filipe Galego com apoio de inteligência artificial (Claude).
- OpenAI: Introducing GPT-6.1 Terra
- OpenAI (YouTube): GPT-6.1 Terra is now in orbit
- OpenAI Developer Community: GPT-6.1 Terra, delivering fast and capable computer use at a lower price
- OpenAI API: documentação do modelo GPT-6.1 Terra
- Artificial Analysis: avaliação independente do GPT-6.1 Terra
- 9to5Mac: OpenAI upgrades ChatGPT and Codex with new GPT-6.1 Terra model
- Nerd's Chalk: GPT-6.1 Terra, disponibilidade, especificações e preços
- The Next Web: OpenAI launches ChatGPT Work
- ChatGPT: página oficial de preços




