Tutorial – Como criar um tutor de IA com SchoolAI

Criar um tutor de ia com SchoolAI

Um tutor de inteligência artificial desenhado pelo próprio professor, com os conteúdos, o tom e as regras da sua turma, e cujas conversas com os alunos podem ser acompanhadas em tempo real: é isso que os Spaces do SchoolAI permitem criar. Este guia mostra como, passo a passo.

O SchoolAI é uma plataforma norte-americana pensada para escolas que permite ao professor criar Spaces: ambientes de conversa com IA configurados por quem conhece a turma. Em vez de um chatbot aberto, o aluno encontra um tutor com objetivos de aprendizagem definidos, materiais de referência e instruções sobre como deve (e como não deve) responder. Do outro lado, o professor vê cada conversa no painel Mission Control.

Este tutorial segue um exemplo real, um Tutor de Estatística para o 8.º ano (média, moda, mediana e tabelas de frequência), mas o processo é igual para qualquer disciplina e qualquer ciclo. Todas as imagens são capturas de ecrã do processo, com os elementos importantes destacados e numerados pela ordem dos passos.

O essencial antes de começar

  • Conta de professor gratuita, com registo em app.schoolai.com (é possível entrar com a conta Google ou Microsoft).
  • Interface em inglês, mas o tutor pode conversar em português europeu se isso ficar escrito no prompt.
  • Os alunos não precisam de conta: entram com um código ou QR e escrevem apenas o nome.
  • Plano gratuito com 5 sessões de Space por ano (os detalhes estão mais abaixo).

Porque é que isto interessa aos professores

A diferença entre dar aos alunos acesso a um chatbot genérico e criar um Space está no controlo pedagógico. O professor define o que o tutor ensina, como ensina e até onde pode ir.

1Um tutor com as regras do professor

O prompt fixa os conteúdos, o nível de linguagem, a língua e a postura do tutor. Pode, por exemplo, impedir que dê respostas finais e obrigá-lo a fazer perguntas, o que transforma a IA num apoio ao raciocínio e não num atalho.

2Visibilidade total sobre o que acontece

No Mission Control é possível acompanhar as conversas em tempo real, abrir o histórico de cada aluno e perceber rapidamente quem está bloqueado, quem avançou e que erros se repetem na turma.

3Diferenciação sem multiplicar o trabalho

Cada aluno conversa ao seu ritmo: quem tem dificuldades recebe passos mais pequenos e mais exemplos, quem está à frente recebe desafios. O professor fica livre para trabalhar diretamente com um grupo enquanto os restantes avançam.

4O aluno faz o esforço cognitivo

Um Space bem configurado pede justificações e devolve perguntas. A própria empresa refere um estudo interno, com cerca de 14 000 conversas, em que os alunos que trabalharam em Spaces com objetivos claros mostraram mais pensamento crítico (os resultados são da SchoolAI e devem ser lidos com essa cautela).

5Camadas de segurança incluídas

Os alertas críticos (situações de risco detetadas nas conversas) estão ativos em todos os planos, incluindo o gratuito, e a plataforma foi concebida para não se fazer passar por uma pessoa.

6Reutilizar, adaptar e partilhar

Um Space criado uma vez pode ser lançado com várias turmas, copiado com Remix e partilhado com colegas do grupo disciplinar. Existem ainda milhares de Spaces da comunidade que podem servir de ponto de partida.

Do zero à sala de aula

O percurso de um Space em 6 etapas

1
Criar
2
Configurar
3
Testar
4
Guardar
5
Lançar
6
Acompanhar

Tocar numa etapa para rever a descrição.

Tutorial: criar um Space passo a passo

1Abrir o criador de Spaces

Depois de iniciar sessão, na página principal, escolher Create a Space. A opção aparece no menu lateral, à esquerda, e também no botão azul no canto superior direito.

Página inicial do SchoolAI com a opção Create a Space assinalada no menu lateral e no botão superior
Página inicial: a opção Create a Space está no menu lateral e no botão azul. (clicar para ampliar)

2Descrever a ideia do Space

Surge uma janela simples onde se define o essencial:

  • This is a: o tipo de Space. Para um tutor que conversa com os alunos, escolher Student learning.
  • Space for: o nível de ensino. A plataforma usa os anos norte-americanos (8th corresponde ao 8.º ano).
  • Descrição: a ideia geral e os conteúdos a trabalhar. Quanto mais rica for a descrição, melhor será o rascunho que a plataforma gera a seguir.
  • Add files: ficheiros de apoio, como as Aprendizagens Essenciais da disciplina, fichas ou resumos.

Clicar em Create my Space para avançar.

Janela Create a Space com os campos tipo de Space, nível, descrição e adicionar ficheiros
Tipo de Space, nível, descrição e ficheiros de apoio: a base a partir da qual a plataforma gera a configuração. (clicar para ampliar)

Dica: uma boa descrição poupa trabalho

Incluir na descrição o ano, os conteúdos exatos, o tipo de interação desejada e a língua. Exemplo: «Tutor de Estatística para alunos portugueses do 8.º ano. Trabalha média, moda, mediana e tabelas de frequência com exemplos do dia a dia, faz perguntas em vez de dar respostas e fala sempre em português europeu.»

3Rever os detalhes do Space

Abre-se a janela de configuração, já preenchida a partir da descrição. À direita fica a área de pré-visualização. Em Space details, confirmar e ajustar o título, o subtítulo (o que os alunos vão ler) e o nível. Mais abaixo, a imagem de capa é gerada automaticamente e pode ser alterada em Edit image.

Secção Space details com título Tutor de Estatística, subtítulo, nível e imagem de capa
Título, subtítulo, nível e capa: confirmar tudo e descer na página. (clicar para ampliar)

4Afinar o prompt: o passo mais importante

Em Prompt > General instructions está o texto que determina o comportamento do tutor. A plataforma propõe uma versão, mas vale a pena lê-la com atenção e reescrevê-la. É aqui que se decide se o tutor dá respostas ou ensina a pensar.

Campo General instructions do prompt com as instruções do tutor de Estatística
As instruções gerais (prompt) definem o comportamento do tutor. A imagem de capa pode ser alterada logo acima. (clicar para ampliar)

Prompt usado no exemplo

Guia os alunos através dos conceitos fundamentais de Estatística: média, moda, mediana e tabelas de frequência. Começa por conceptualizar estes termos com exemplos do quotidiano português (notas escolares, alturas de alunos, dados de futebol, etc.). Quando um aluno demonstra dificuldade, decompõe o problema em passos mais simples e oferece mais exemplos. Estimula o cálculo passo a passo e peça justificações. Usa sempre português europeu. Propõe pequenos exercícios práticos e valida as respostas dos alunos com feedback construtivo. Se o aluno estiver pronto, introduz tabelas de frequência e relações entre as medidas estatísticas.

Um bom prompt para um tutor costuma ter seis ingredientes: papel (quem é o tutor e para quem), âmbito (o que trabalha e o que não trabalha), método (perguntas, pistas progressivas, pedido de justificações), língua e registo, tratamento do erro e fecho (síntese ou autoavaliação). O modelo seguinte pode ser adaptado a qualquer disciplina:

Modelo para copiar e adaptar

És um tutor de [disciplina] para alunos do [ano] ano em Portugal. Trabalhas apenas [conteúdos]. Começa com uma pergunta curta para perceber o que o aluno já sabe. Nunca dês a resposta final logo à primeira: faz perguntas, dá pistas progressivas e pede ao aluno que justifique o raciocínio. Quando o aluno errar, identifica o passo onde está o erro sem o corrigir por ele. Usa exemplos do contexto português e escreve sempre em português europeu, com frases curtas. Se o aluno sair do tema, reconduz a conversa com simpatia. Não peças nem guardes dados pessoais. No fim, pede ao aluno que resuma por palavras suas o que aprendeu.

5Acrescentar PowerUps e recursos

Os PowerUps são ferramentas extra que o aluno pode usar dentro do Space, como a calculadora gráfica (Desmos), um quadro para desenhar (Doodle Board), um gerador de imagens, tradução ou pequenos desafios (Brain Boosters). Alguns, como Flashcards, Mindmap ou o criador de apresentações, ficaram reservados aos planos pagos.

Em Resources:

  • Standards: permite alinhar o Space com currículos oficiais, mas o currículo português não está disponível.
  • Files: a alternativa é carregar aqui as Aprendizagens Essenciais em PDF (no exemplo, as do 8.º ano de Matemática), fichas ou textos de apoio. No plano gratuito, cada ficheiro tem um limite de 10 MB.
Secções Add anytime PowerUps e Resources, com Add standards e Add files com o PDF das Aprendizagens Essenciais
PowerUps para os alunos e ficheiros de apoio: as Aprendizagens Essenciais substituem os standards, que não incluem o currículo português. (clicar para ampliar)

6Definir objetivos e etapas da conversa

Em Outcomes ficam os objetivos de aprendizagem que o tutor deve perseguir (o botão Generate sugere alguns). Convém escrevê-los como desempenhos observáveis, porque são também a base dos indicadores que o professor verá no Mission Control.

Em Agenda steps é possível impor uma sequência à conversa. Por exemplo: (1) pergunta de diagnóstico; (2) exploração do conceito com um exemplo; (3) três exercícios de dificuldade crescente; (4) um desafio; (5) síntese feita pelo próprio aluno.

Secção Outcomes com três objetivos de aprendizagem em português e secção Agenda steps
Objetivos de aprendizagem e passos que o tutor deve seguir na conversa. (clicar para ampliar)

7Descrever os alunos e o estilo de interação

Em Audience & style, responder a duas perguntas: quem são os alunos (idade, ano, ponto de partida, necessidades) e como deve o tutor falar com eles. Esta informação ajusta o vocabulário, o ritmo e o tom das respostas.

Secção Audience and style com a descrição dos alunos do 8.º ano e do estilo do tutor
Público e estilo: alunos do 8.º ano que estudam Estatística pela primeira vez, com um tutor paciente e progressivo. (clicar para ampliar)

8Testar como se fosse um aluno e guardar

Antes de guardar, clicar em Preview e conversar com o tutor. O teste é mais útil quando se tenta «estragar» o Space:

  • dar uma resposta errada e ver se o tutor indica onde está o erro sem o resolver;
  • pedir diretamente a resposta e confirmar que o tutor resiste;
  • fazer uma pergunta fora do tema;
  • escrever com erros ou de forma muito curta, como muitos alunos fazem;
  • verificar se a linguagem é mesmo português europeu (e não do Brasil).

Quando estiver tudo bem, clicar em Save and continue.

Ecrã de configuração com o botão Preview na área de pré-visualização e o botão Save and continue
Testar com Preview e, no fim, guardar com Save and continue. (clicar para ampliar)

9Conhecer a página do Space

Depois de guardar, abre-se a página do Space, que funciona como a sua ficha. Os botões principais:

  • Preview & Launch: pré-visualizar e lançar para os alunos;
  • Remix: fazer uma cópia (útil para criar versões para outros anos ou turmas);
  • Edit: voltar à configuração;
  • Share: partilhar o Space com colegas;
  • My sessions: histórico das sessões já realizadas.
Página do Space Tutor de Estatística com os botões Preview and Launch, Remix, Edit, Add to collection e Share
A página do Space reúne o lançamento, a edição, a cópia e a partilha. (clicar para ampliar)

10Lançar uma sessão

Em Preview & Launch abre-se uma janela onde se dá nome à sessão. Uma boa prática é incluir a turma e a data (por exemplo, 8.º B · Estatística · 05/11), para mais tarde encontrar facilmente o histórico. Em Session specific prompt podem acrescentar-se instruções só para esta sessão (por exemplo, «hoje foca apenas a mediana»), e os Outcomes podem ser ajustados.

Clicar em Launch para gerar o acesso. No plano gratuito, cada lançamento conta como uma das sessões anuais.

Janela de lançamento com nome da sessão, prompt específico da sessão, objetivos e botão Launch
Nome da sessão, instruções específicas e objetivos; o botão Launch cria o acesso para os alunos. (clicar para ampliar)

11Dar o acesso aos alunos e acompanhar

Por fim, surge o ecrã de acesso, ideal para projetar na sala. Os alunos têm três caminhos:

  • entrar em schoolai.com/join e escrever o código;
  • ler o código QR com o telemóvel ou o tablet;
  • abrir o link completo (botão Copy join link), que já inclui o código: o aluno só escreve o nome. É a opção mais prática para publicar na Classroom ou no Teams.

O botão View Mission Control abre o painel onde se acompanham as conversas da turma em tempo real.

Ecrã de acesso com o endereço schoolai.com/join, o código da sessão, o código QR e o botão Copy join link
Ecrã de acesso: endereço, código, QR e link completo. Este código pertence a uma sessão de teste já terminada. (clicar para ampliar)

Como pode melhorar a aprendizagem dos alunos

O valor de um Space não está na tecnologia em si, mas na forma como prolonga o trabalho do professor. Alguns usos com impacto, transferíveis para qualquer disciplina:

1Diagnóstico no início de uma unidade

Um Space que faz perguntas abertas sobre os pré-requisitos e devolve ao professor, no Mission Control, um retrato da turma antes da primeira aula do tema.

2Prática guiada com feedback imediato

Em Matemática ou Físico-Química, exercícios com pistas progressivas; em Português, análise de um excerto com perguntas sucessivas; em Inglês, conversação ao nível de cada aluno. O feedback chega no momento do erro, quando é mais útil.

3Entrevista a uma personagem ou a um conceito

Em História, Geografia ou Cidadania, o tutor pode assumir o papel de uma figura histórica ou de um cientista, com respostas limitadas a factos rigorosos, e o aluno conduz a investigação através das perguntas.

4Revisão antes de um teste

Um Space de estudo que pergunta, corrige e pede ao aluno que explique por palavras suas, combatendo a ilusão de saber que a simples releitura cria.

5Avaliação formativa com dados

As conversas revelam erros e conceções alternativas que raramente aparecem numa ficha. Com essa informação, a aula seguinte pode começar exatamente onde a turma tropeçou.

Em todos estes casos, o Space funciona melhor como complemento à aula, com o professor presente e atento ao painel, e não como substituto da explicação, da discussão em turma ou do trabalho colaborativo.

Plano gratuito: o que muda em 2026

Desde 15 de julho de 2026, o plano gratuito para professores (agora designado Free trial, mas sem prazo de expiração) inclui cinco sessões de Space por ano. Cada vez que um Space é lançado, conta uma sessão; criar, editar e testar Spaces não tem limite, e o primeiro Space de boas-vindas não conta.

Plano gratuito (desde 15 de julho de 2026)

0 sessões de Space por ano

1
2
3
4
5
+2
■ 1 lançamento = 1 sessão (para toda a turma)■ Criar, editar e testar não conta■ +2 por cada referência validada (em breve)
  • Continuam sem limite: o chat com o assistente Dot para o professor, as ferramentas e assistentes para preparar aulas, a visualização das conversas dos alunos e os alertas críticos de segurança.
  • Ficam associados às 5 sessões: tradução em tempo real (cerca de 100 línguas), os indicadores do Mission Control durante a sessão e os ficheiros de referência do Space (até 10 MB).
  • Planos pagos (Pro e Scale): só podem ser contratados por escolas ou agrupamentos; não existe plano pago individual para professores. Os valores são definidos por proposta na página de preços oficial.

Dica para rentabilizar as 5 sessões

Uma sessão serve a turma inteira: todos os alunos entram com o mesmo código. Vale a pena reservar as sessões para momentos de maior impacto (diagnóstico, revisão antes de um teste, uma tarefa autónoma longa) e preparar o Space com antecedência, testando-o no Preview tantas vezes quantas forem necessárias, porque os testes não gastam sessões.

Uma sessão, várias turmas do mesmo ano. O mesmo código pode ser partilhado com todas as turmas que trabalham o mesmo tema. Para distinguir os alunos no Mission Control, basta pedir que, ao entrar, escrevam o primeiro nome seguido do ano e da turma, por exemplo Miguel7A, Maria7B ou Joana7D. Assim, uma única sessão serve, por exemplo, três turmas de 7.º ano, e o histórico continua organizado por turma. Convém não terminar a sessão (End) entre aulas, porque uma sessão terminada deixa de aceitar novas entradas; se for preciso, pode ser apenas pausada.

Privacidade e boas práticas

O SchoolAI é uma empresa norte-americana. As certificações que apresenta (FERPA, COPPA, SOC 2) dizem respeito sobretudo ao enquadramento dos Estados Unidos; a política de privacidade reconhece os direitos previstos no Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados e a empresa disponibiliza um acordo de tratamento de dados (DPA) a todos os utilizadores. Antes de usar com alunos, algumas precauções sensatas:

  • falar com a direção e com o responsável da proteção de dados do agrupamento;
  • informar os encarregados de educação sobre a atividade e o seu objetivo;
  • pedir aos alunos que entrem só com o primeiro nome ou com um código combinado na turma;
  • incluir no prompt a instrução de não pedir dados pessoais e lembrar os alunos de não os partilhar;
  • testar sempre o Space antes de o lançar: a IA pode errar, e o professor continua a ser o garante do rigor científico.

Nota editorial e de transparência: este artigo foi elaborado por Filipe Galego com apoio de inteligência artificial (Claude)

Fontes

Deixa um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *